O Dom da Medalha

NA CAPELA

Dentre as medalhas mais difundidas encontra-se a medalha da Imaculada, conhecida no mundo inteiro como a medalha milagrosa.

Teve origem durante as aparições de Nossa Senhora nesta capela, no ano de 1830, a Santa Catarina Labouré, uma noviça da congregação das Filhas da Caridade.

A medalha recapitula, através de seu rico simbolismo, os mistérios da fé. Evoca também os mistérios da Encarnação e da Redenção, evoca o lugar ímpar ocupado por Maria no desígnio de Deus; o amor do Coração de Cristo e de sua Mãe por todos os homens, a maternidade universal da Virgem Maria, o mistério da Igreja e as relações entre a terra e o céu.

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A face luminosa

As palavras e os desenhos gravados no reverso da medalha, exprimem uma mensagem tríplice:

Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós.

A invocação revela explicitamente o privilégio com que a Mãe de Deus foi agraciada: a Virgem Maria foi preservada do pecado original, imaculada desde a sua concepção. Maria, a primeira pessoa a ser salva, beneficiou a humanidade, por antecipação dos méritos da Paixão de seu Filho Jesus, o Cristo, em vista de sua maternidade divina.

Seus pés foram colocados sobre a metade de uma bola e esmagam a cabeça de uma serpente.

A metade da bola é o globo terrestre, é o mundo; a serpente, entre os judeus e os cristãos, significa Satan e as forças do mal. A Virgem é a Mulher “vestida de sol e coroada de estrelas”, descrita por São João no Apocalipse. E ao participar, ela própria, no combate espiritual, o combate contra o mal cujo campo de batalha é o nosso mundo, ela nos chama também a entrar na lógica de Deus que não é a lógica do mundo. É a graça autêntica da conversão que o cristão pede por intercessão de Maria para transmiti-la ao mundo.

Suas mãos estão abertas e seus dedos ornados por anéis revestidos de pedrarias de onde partem raios que descem sobre a terra. O brilho desses raios, assim como a beleza e a luz da aparição, atraem nossa confiança para a fidelidade de Maria (os anéis) para com o seu Criador e para com seus filhos, na eficácia de sua intervenção (os raios das graças) e na vitória final (a luz). Assim, a Virgem nos convida a recorrer a ela nas dificuldades de nossa vida, com uma total confiança em sua intercessão toda poderosa e amorosa.

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…a face dolorosa

A medalha traz em seu reverso uma inicial e desenhos que nos introduzem no segredo de Maria.

A letra “M” é superposta por uma cruz.

O “M” é a inicial de Maria, a cruz é a Cruz de Cristo. Os dois sinais entrelaçados mostram a relação indissolúvel que liga o Cristo à sua Mãe Santíssima. Maria está associada à missão da redenção da humanidade realizada por seu divino Filho Jesus e participa, por sua compaixão, ao próprio ato do sacrifício redentor do Cristo.

Logo abaixo, há dois corações, de onde saem as chamas do amor que nos trazem Jesus e Maria.

» O coração coroado de espinhos é o Coração de Jesus. Relembra o cruel episódio da Paixão de Cristo narrado pelos Evangelhos, antes de sua morte. Significa sua Paixão, seu amor pelos homens.

» O coração atravessado por uma espada, é o Coração de sua Mãe. Relembra a profecia de Simeão narrada nos Evangelhos, no dia da Apresentação de Jesus no templo de Jerusalém, por Maria e José. Significa o amor do Cristo que habita em Maria e seu amor por nós: pela nossa redenção ela aceita o sacrifício de seu próprio Filho. A proximidade dos dois Corações exprime que a vida de Maria é vida de intimidade com Jesus. Nós também podemos unir nosso coração aos Corações de Jesus e de Maria .

Doze estrelas estão gravadas a volta toda.

Representam os doze apóstolos e representam também a Igreja, uma luz para o mundo. A medalha nos convida, portanto, a cada um de nós, a escolher, como o Cristo e sua Mãe, o caminho de amor até o dom total de si próprio.

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A noite de 18 a 19 de julho de 1830

Catarina está no Noviciado da “rue du Bac” depois de três meses. Na véspera do dia de São Vicente de Paulo, ela adormece suplicando-lhe que lhe obtenha a graça de ver a Santa Virgem. Às 11horas e meia, daquela noite, ela ouve chamarem por seu nome: “Irmã. . .Irmã. . .” Catarina acorda, afasta o cortinado de sua cama e vê uma criança vestida de branco que lhe diz: “Venha até a capela. A Santa Virgem te espera.” Catarina se veste e segue a criança, seu anjo da guarda, até à capela.

Na capela, todas as velas e luzes se acendem. A criança a conduz até o santuário, ao lado da cadeira do sacerdote. Catarina se ajoelha. E a criança lhe avisa: “Eis a Santa Virgem.”

E Catarina ouve como se fosse o frufru de um traje de seda e vê uma senhora que vem se sentar justamente na cadeira ao seu lado. Catarina custa a acreditar no que vê. A criança repete, com voz mais forte: “Eis a Santa Virgem”. Catarina então se lança aos pés dela, apoiando as mãos sobre seus joelhos. “E ali, decorreram os momentos mais sublimes da minha vida”. E indicando, à sua esquerda, os pés do altar, a Virgem lhe disse: “Minha filha, o Bom Deus quer lhe confiar uma missão. Você vai sofrer. . .será contestada, mas receberá a graça.

Não tenha medo. . .Venha aos pés deste altar. Ali as graças jorrarão sobre todas as pessoas que me pedirem com confiança e fervor. As graças serão concedidas aos grandes e aos pequenos.”.

Catarina recebeu também um pedido para o Padre Aladel, seu confessor: “A Santa Virgem quer ele seja o fundador de uma Confraria de Filhas de Maria”.

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Sábado 27 de novembro de 1830

Na véspera do Advento, às 5horas e 30 minutos da tarde. depois da leitura da meditação na capela, em meio ao grande silêncio, Catarina ouviu “o frufru de um traje de seda”. Ela olha e vê a Santa Virgem na altura do quadro de São José (posição atual da Virgem com o Globo).

Nossa Senhora estava de pé, com um traje de seda branco-aurora, um véu branco que lhe descia até a barra do vestido, os pés apoiados sobre a metade de um globo.

A Virgem do Globo

A Santa Virgem trazia nas mãos um globo que representava o globo terrestre. Tinha as mãos ligeiramente elevadas, com naturalidade, os olhos voltados para o céu: “Era uma figura de rara beleza. Ser-me-ia impossível descrevê-la”. E Catarina ouviu estas palavras da Virgem: “Esse globo representa o mundo inteiro, a França e cada pessoa em particular. . .”

A Virgem dos Raios

Em seguida e repentinamente, Catarina se apercebe de que a Virem trazia anéis em seus dedos, “anéis recobertos de belíssimas pedrarias, das quais desprendiam-se fulgurantes raios que se alargavam para baixo.”

A Santa Virgem baixa o olhar na direção de Catarina que ouve: “Os raios simbolizam as graças que eu concedo às pessoas que as pedem”.

Nossa Senhora faz Catarina compreender como é grande sua generosidade para com as pessoas que lhe pedem graças e como é grande a sua alegria em lhes conceder essas graças.

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Delineia-se a medalha…

Então se forma um quadro oval à volta da Santa Virgem; no alto do quadro aparecem as seguintes palavras, escritas em dourado:

« Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós ».

E Catarina ouve uma voz que lhe diz:

“ Fazei cunhar uma medalha conforme este modelo.Todas as pessoas que a trouxerem consigo, usando-a à volta do pescoço, receberão grandes graças. As graças serão abundantes para as pessoas que a usarem com confiança.”

…e o reverso da medalha

Decorridos alguns instantes, o quadro se vira. E sobre o reverso, Catarina distingue a letra “M”, com uma cruz sobreposta e embaixo os sagrados Corações de Jesus e de Maria. Certo dia, durante a meditação, a Irmã Catarina, preocupada com o que deveria escrever no reverso da medalha, ouve uma voz que lhe diz:O M e os dois corações já exprimem o suficiente”.

Em dezembro de 1830

Certa vez, durante a oração, às 5 horas e trinta minutos da tarde, Catarina ouve novamente o frufru de um traje de seda, dessa vez atrás do altar. A Santa Virgem se apresenta junto ao tabernáculo, um pouco para trás e lhe confirma sua missão. Em seguida, lhe diz: “Você não me verá mais”. Era o término das aparições.

Catarina confia tudo isso ao Padre Aladel que lhe pede para não mais pensar nestas “imaginações”.

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Tudo terminou … mas tudo começou

O céu desceu à terra e lhe doou uma medalha. Aquela que tinha visto Nossa Senhora foi servir a Jesus Cristo; durante quarenta e seis anos, trabalhou num asilo de velhos, cuidando dos anciãos pobres, dos miseráveis e dos feridos de guerra e de revoluções.

A medalha, cunhada em 1832, difundiu-se extraordinariamente. Chegou aos Estados Unidos (1836), à Polônia (1837), à China e à Rússia (1838). Dez anos depois das aparições, sua expansão chegou a dez milhões de exemplares. Em 1847,a missão solicitada ao Padre Aladel também toma vulto. Em 8 de dezembro de 1838 nascia em Baume a primeira Confraria das Filhas de Maria.

A Associação, fundada a 2 de fevereiro de 1840, difunde-se rapidamente na província e depois em Paris. E finalmente em 2847 obtém a aprovação de Pio IX, E, em 1848, o Padre Aladel publica um manual das Filhas de Maria, cujas edições se sucederam em ritmo acelerado. Em 1969, a Associação toma o nome de Juventude Mariana, existente, hoje em dia, no mundo inteiro.

No dia 8 de dezembro de 1854, Pio IX define o dogma da Imaculada Conceição. E, quatro anos mais tarde, em Lourdes, uma jovem pastora, chamada Bernadete, recebe a visita de uma “bela senhora” que se dá a conhecer pelo seu nome: “Eu sou a Imaculada Conceição”.

Em vista de sua maternidade divina, a Virgem Maria recebera o privilégio de sua concepção imaculada. Preservada do pecado original, seu corpo não poderia conhecer a corrupção de um túmulo.

E pelo Dogma da Assunção de Maria, Pio Xii proclamou, a 1º de novembro de 1954, que Deus havia elevado a Santíssima Virgem, em corpo e alma, à glória celeste.

Nosso corpo também será chamado a compartilhar da glória eterna, mas só a partir da ressurreição final e não ao termo da vida terrestre.

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