

Catarina Labouré
1806-1876
Filha da Caridade
Ela viu a Santíssima Virgem,
o Cristo presente na Eucaristia e o coração de São Vicente de Paulo… mas, sobretudo, viveu o Evangelho no dia-a-dia… simplesmente…
Nos dias que seguiram sua morte, 31 de dezembro de 1876, a multidão se aglomera diante do féretro da Irmã Catarina. Uma pobre mulher leva, numa caixa de rodas, seu filho de doze anos, enfermo de nascença, que ela tenta descê-lo na cova; e eis que o menino se levanta e anda com suas próprias pernas !
O primeiro milagre de Santa Catarina é para os pobres …
O corpo de santa Catarina foi encontrado intacto em 1933 e transferido para a Capela, em baixo da estátua da Virgem do Globo.
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Corajosa na provação
Irmã Catarina, em comunidade, e Zoé Labouré na família, vem ao mundo no dia 2 de maio de 1806, numa pequena aldeia de Bourgogne, na França, Fain-les-Moutiers. É a oitava dos dez filhos de Pedro e Madalena Labouré, proprietários fazendeiros.
À morte de Madalena, aos 46 anos de idade, deixa a família enlutada. Catarina, chorando, sobe numa cadeira para abraçar a estátua da Santíssima Virgem e diz: “Agora, tu será minha mamãe”.
Neste triste outono de 1815, Zoe e Tonine, sua irmã, deixam a fazenda natal e partem para Saint Rémy, uma localidade vizinha, onde uma tia as acolhe. Catarina se sente duplamente órfã: a morte de sua mãe a afasta também de seu pai.
Dois anos mais tarde, Pedro Labouré, atrapalhado com a partida de sua filha mais velha,, Maria Luísa, para a Companhia das Filhas da Caridade, chama as duas pequenas para a fazenda.
Catarina faz sua Primeira Comunhão no dia 25 de janeiro de 1818. Um imenso fervor apodera-se dela. “Catarina não era mais dessa terra, dirá Tonine,, ela era toda mística!”
Uma mística bem realista! Eis Catarina promovida, aos 12 anos, dona de casa. Enfrenta, com calma, e competência: a alimentação dos empregados do campo, a limpeza do pomar, da horta , do galinheiro, o pombal com 800 pombos, ordenha as vacas, faz a distribuição da forragem; todas as semanas ela faz o pão, lava a roupa e faz as compras!
Com todos, Catarina é delicada e boa, amável e amorosa, procura sempre estabelecer a paz. Seu caráter sério, modesto e grave, está amadurecido pela provação e responsabilidades. O objeto de seus cuidados mais atenciosos, é Augusto, seu irmãozinho, que ficou enfermo, depois de uma queda.
Todos os dias Catarina vai à Igreja para rezar, na capela da Virgem Maria, restaurada pela família Labouré. Depois da Revolução, a Igreja ficou sem sacerdote e, o Tabernáculo vazio.
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Paciente nos obstáculos
Catarina não se contenta só em rezar. Visita os doentes, socorre os pobres. Sente o chamado de Deus, mas, não sabe onde nem como.
Eis que uma noite, teve um sonho misterioso: um sacerdote ancião, entra na Igreja para celebrar a missa; seu olhar para várias vezes, para fixar a jovem que parte imediatamente para visitar um doente; quando o mesmo sacerdote a encontra na saída, ele lhe diz: “Minha filha, é bom visitar os doentes; você, um dia, me procurará. Deus tem seus desígnios sobre você. Não o esqueça!” Catarina acorda com o coração cheio de alegria!
Aos 18 anos, porém, não sabe ainda ler nem escrever. Consegue de seu pai para entrar no pensionato de Châtillon-sur-Seine, dirigido por sua prima. Um dia, dirigindo-se à Casa das Filhas da Caridade bem perto, o que vê na parede da sala de visitas? A fotografia do sacerdote que ela viu em sonho! “É o nosso Pai, São Vicente de Paulo”, explica-lhe uma Irmã. Catarina compreende: ela será Filha da Caridade.
Depois de uma breve permanência no pensionato, onde a jovem fazendeira sente-se fora de seu ambiente com as moças mais finas, que lhe fazem sentir seu desprezo, ela volta para Fain, onde se põe imediatamente a trabalhar.
No dia 2 de maio de 1827, dia em que completa sua maioridade, Catarina declara a seu pai sua vocação. Ele recusa com veemência. Ele quer casá-la, Catarina porém não aceita os bons partidos. Na primavera de 1828, Pedro Labouré, com indignação, exila sua filha em Paris, onde servirá no restaurante de seu irmão… Depois da recusa, o envio: dupla ferida para Catarina. A provação dura um ano. Seu pai termina por se deixar submeter. Catarina volta a Châtillon e em janeiro de 1830 começa seu postulado com as Filhas da Caridade. Três meses mais tarde é a partida para o Seminário de Paris. O sonho tornou-se realidade!
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Simples diante dos favores celestiais
Três dias depois de sua chegada à Casa Mãe das Filhas da Caridade, Catarina participa com as 110 outras noviças da transferência solene do corpo de São Vicente de sua capela (140, rua do Bac) à dos Padres da Missão (95, rua de Sèvres).
Neste domingo 25 de abril de 1830, uma missa solene pontifical é celebrada em Notre Dame pelo Núncio Apostólico. Uma multidão imensa rodeia o arcebispo e doze bispo diante da urna de prata. Uma solene procissão atravessa Paris. Que alegria para Catarina de seguir o cortejo do sacerdote de sua vocação!
No semana seguinte, Catarina vai com freqüência rezar na capela de São Vicente e quando volta à Rua do Bac, recolhe-se um instante diante de um relicário contendo do coração do Fundador.
Três dias consecutivos, o coração de São Vicente lhe aparece como uma imagem: primeiramente branco, sinal de paz e união; depois vermelho fogo da caridade que deve abrasar os corações nas duas congregações, enfim preto, presságio de desgraças iminentes que vão cair sobre a França. Catarina recebe a promessa de que as duas famílias não perecerão.
Ela confia estas visões ao Padre Aladel, Lazaristas. Ele permanece cético, mas quando chegam os dias revolucionários de julho com seu cortejo de violências ele fica um pouco abalado…
Catarina vê também, durante todo o seu tempo de Seminário o Cristo presente na hóstia,“salvo quando eu duvidava”, diz ela.
No dia seis de Junho festa da Santíssima Trindade, a visão volta a ficar preta: “ Nosso Senhor me apareceu como um Rei, com a Cruz no seu peito… Subtamente tudo caiu por terra”. Catarina se confia ainda ao Padre Aladel. Nenhuma resposta.
Catarina viu o Padre Vicente, viu também Nosso Senhor… porém não viu a Santíssima Virgem. Seu desejo será escutado. Três aparições se sucederão: a noite de 18 de julho, 27 de novembro e um dia de dezembro de 1830. ( Ver folheto: O dom da Medalha).
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Caridosa no serviço
No dia 30 de janeiro de 1831, Catarina termina o Seminário. É nomeada para prestar seus serviços na comunidade do Asilo d’Enghien, no distrito de Reuilly, bairro desafortunado do sudeste de Paris.
Irmã Catarina é colocada na cozinha onde encontra depressa o trabalho manual da fazenda e do restaurante! Seu único tormento: ela gosta de dar largamente, mas a Irmã que é cozinheira-chefe, é econômica. Sua paciência é colocada à prova.
Dois anos depois é enviada à rouparia: lavagem, passar e consertar as roupas. Logo depois, é o serviço dos anciãos ela os estima muito e fica bem animada. Robusta e firma, ela sabe se fazer respeitar. É bondosa até mesmo com o mais desagradáveis, privasse do sono para assisti-los em sua agonia e todos aqueles que ela vela encontram a paz. Catarina trabalha também na portaria, onde acolhe os pobres que ela tanto ama.
No dia 3 de maio de 1835, Catarina pronuncia seus primeiros votos. Este belo dia, porém, encoberto por uma sombra pois, sua irmã mais velha, Maria Luisa, deixa a Companhia das Filhas da Caridade, arrasada pela injustiça de uma calunia.
Catarina é também atenciosa para com os funcionários. Visita a uma pobre lavadeira de 20 anos doente logo à sua chegada, leva-lhe um edredon, e remédio. Por fim Catarina encontra um momento propicio para dedica-lo às Irmãs recém chegadas, dando-lhes, com coração às iniciantes, conselhos cheios de experiências profundas e práticas. Para elas, Catarina é uma referência e um socorro sempre disponível.
Presente em todas frentes de batalha, Catarina não mede esforços. No entanto se faz pouco caso de sua pessoa, consideram-na bastante negligente. É tratada até mesmo de boba… sua fidelidade, porém, é plena; defende a autoridade de sua superiora, mesmo quando é tratada severamente.
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Humilde na missão
Catarina protege seu segredo com eficiência. Sem deixar nada aparecer que, em 1832, recebe a medalha em sua comunidade.
Cumulada mais além de toda espera pelos milagres que acompanham as primeiras distribuições, ela não deixa transparecer o sucesso, do qual ela é o instrumento. Se conseguiu afastar a curiosidade, sabe entretanto defender a autenticidade das aparições. Ouvindo dizer: “ Esta Irmã que pretende ter visto a Santíssima Virgem, sem dúvida viu apenas um quadro”, Catarina responde com uma voz firme: “ Caríssima, a Irmã que viu a Santíssima Virgem a viu em carne e osso, como você e eu!”
Catarina permanece presente em sua família, da qual partilha as preocupações e as alegrias. Quando seu pai falece na solidão, em 1844, ela fica com o coração partido; mas que alegria quando Maria Luisa é reintegrada na Companhia das Filhas da Caridade.
Ela apóia Tonine, para quem as catástrofes se sucedem, converte seu cunhado moribundo, assiste seus irmãos no momento da morte, regozijasse ao ver sua sobrinha ser recebida na Associação das Filhas de Maria, e seu sobrinho Felipe ordenado sacerdote nos Lazaristas!
Em 1848, uma visão se impõe, repentinamente, à Catarina: é preciso colocar uma cruz monumental em Paris; ela será muito venerada e de toda a França e paises mais afastados virão, por devoção, em peregrinação e por curiosidade. Catarina submete sua visão ao Padre Aladel. Porém sem sucesso. Ela se sente pressionada em colocar tudo por escrito e termina sua carta dizendo à si mesma: “ toda dedicada ao Sagrado Coração de Jesus e de Maria”. Catarina não fica satisfeita. A aparição não é comemorada e faltam ainda na capela o altar e a estatua da Virgem do Globo.“Este foi o martírio de toda a minha vida”, disse ela. Além disso a capela nem sempre permanece aberta para os peregrinos. Tudo só lhe será concedido depois de sua morte.
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Confiante na tempestade
Durante as jornadas revolucionárias de Junho de 1848, a batalha tornasse terrível e sangrenta. O leste de Paris cobrisse de barricadas. As represarias são atrozes. O Asilo de Reuilly cuida dos feriados dos dois campos.
Em 1870 na desastrosa guerra contra a Prússia, Paris é cercada. Catarina manifesta uma calma plena. Colocasse a medalha nas portas e nas janelas da casa, transformada em hostipal. A penúria torna-se fome: reservasse “ as doçuras aos doentes e aos feridos”, às Irmãs é dado uma mínima porção, e em certos dias um pedaço de pão preto depois de um trabalho estremo.
A guerra civil ameaça. Catarina manifesta tristeza: “Meu Deus, quanto sangue, quanta ruína!” mas ela permanece confiante: “
Nossa Senhora velará, ela cuidará de tudo. Não nos acontecerá nenhum mal.” A insurreição toma conta de Paris. Os cadáveres são colocados nas calçadas, mas entre as Irmãs não há nenhuma vítima…
Na primavera de 1876, Catarina sente aproximar-se o seu fim. Ela fala disso com calma: “Eu vou para o céu”, diz ela. No final de dezembro ela pede a unção dos enfermos, que recebe com toda lucidez. “A senhora não tem medo de morrer?, pergunta uma Irmã. Catarina se admira: “ Porque temer para ver Nosso Senhor, sua Mãe e São Vicente?”
O dia 31 de dezembro, Catarina recebe a Comunhão. Ao redor de seu leito recitasse as orações dos agonizantes, repete-se a invocação da medalha. Seu ultimo suspiro é tão suave que apenas foi escutado. Terminava-se de rezar a ladainha da Imaculada Conceição…
Desde muito cedo do dia 01 de janeiro, o rumor suscita um desfile. Catarina atrai “como uma santa”. Seus membros permanecem flexíveis. Seu funeral teve lugar no dia 03 de janeiro, festa de Santa Genoveva, tão cara ao Padre Vicente.
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