O meu terço, que só tiro do pescoço para tomar banho, dormir, ou obviamente rezar, tem adicionada a medalha milagrosa junto ao crucifixo.
Deixam-se 2 histórias verídicas (que fazem parte do meu livro “Pecado e Redenção”, ainda em produção), relacionadas com a devoção e crença a Nossa Senhora, e que poderão ser livremente divulgadas pela associação, já tendo saído na imprensa local. Fernando Santos.
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COISAS DE NOSSA SENHORA…? (1).
(publicado na edição de 8 de maio de 2025 de “O Templário”, página 10)
Em maio de 2024, era eu na altura voluntário no hospital de Alcoitão. “Já que estamos em maio, mês de Maria, vou oferecer um terço a Nossa Senhora, em agradecimento por ter sido selecionado para ir a Fátima com os doentes, quando pensava já não haver qualquer hipótese para mim. Já havia um outro voluntário nomeado, e em princípio iria só um, mas se calhar com uma ajudinha “lá de cima”, lá acabaram por me convidar também.
Vou oferecer o terço mesmo com a firme intenção de ser um especial agradecimento a Nossa Senhora. Para não me chamarem maluco, esta motivação não a conto a ninguém, digo que é por ser maio, mês de Maria, e que me passou esta ideia pela cabeça…”.
Criei então um terço grande (2,50 m X 80 cm), desenhado no chão da capela do hospital, frente ao altar, constituído por pedras de rio, de cor branca e rosa. As pedras foram compradas no chinês de Alcoitão que as vendia em saquinhos pequenos para decoração de jardins. Quem depois viu elogiou a minha ideia, tendo várias pessoas fotografado o terço no chão da capela, entre os quais o capelão do hospital.
Ora, nem uma semana tinha passado, algo de insólito aconteceu. Recebo um inesperado email para atualização de dados no banco ***. Estranhei, pois essa conta tinha sido encerrada em 2021. “Atualizar dados?! Mau, mau, tenho de ir ver o que se passa…”
No dia seguinte fui à agência *** e pedi explicações: – “Bom dia” – e mostrei o email – “Esta conta bancária estava em nome de minha mãe e em meu nome. Ela era a titular, eu o co-titular. Era nesta conta que minha mãe recebia a reforma e eu a levantava.
Minha mãe morreu em 3 de julho de 2021. A reforma que vinha para este banco foi cancelada pela Segurança Social. Dois dias depois, vim eu aqui a esta mesma agência e mostrei a certidão de óbito de minha mãe. Eu não tinha interesse em continuar com essa conta, pois já tinha conta em outro banco, só em meu nome.
Assim, levantei o pouco dinheiro que restava na conta, menos de 100 euros, entreguei o meu cartão multibanco (minha mãe não tinha, só eu, pois era eu que lhe levantava a reforma e pagava o Lar), e a conta foi encerrada. Cartas do banco ou emails, nunca mais recebi nada, até porque a conta estava a zeros e encerrada.
O que se passa agora, passados três anos, com este pedido de atualização de dados sobre uma conta que eu não tenho…?!”
Então dizem-me uma coisa surpreendente: – “A conta, pelo que vemos aqui no computador, não chegou a ser encerrada ou foi mal encerrada. Não sabemos qual foi o problema, mas a conta continua ativa (?). Além disso, o senhor ainda tem dinheiro nesta conta.”
– Tenho dinheiro na conta?!
– Tem sim. O senhor tem aqui um saldo de 1.070 euros (!!!). O que vamos fazer é retirar o nome de sua falecida mãe e a conta ficar só em seu nome. Posteriormente, o senhor poderá levantar o dinheiro existente – há uma taxa de 12€ a pagar ao balcão – e encerrar a conta definitivamente.
Volte daqui por 15 dias, que já deverá estar concluído o processo de encerramento da conta…”
Fiquei surpreendido, atónito, sem palavras. Eu tinha encerrado a conta, de certeza absoluta. Tinha levantado o pouco dinheiro existente. A pensão de reforma de minha mãe tinha sido automaticamente cancelada pela Segurança Social. O banco nunca mais me enviara qualquer saldo, carta ou email durante 3 anos, indicando que de facto tudo estava tratado e encerrado.
Mesmo que a Segurança Social, por engano, ainda tivesse creditado uma pensão (400€/mês) após a morte de minha mãe, a própria Segurança Social iria quase logo de seguida resgatar essa mesma reforma.
Assim que a Segurança Social visse o engano, nem uma migalha lá deixava ficar, ou então nunca mais parava com notificações para mim acerca da devolução do dinheiro.
Como é possível agora, ao fim de quase três anos – sem nunca haver a mais pequena comunicação do banco – afinal a conta existir, e ainda por cima ter lá mil e setenta euros? De onde terá vindo esse dinheiro? Não encontro explicação para o que me aconteceu, a não ser por mão divina. A única coisa que sei, é que o que aconteceu foi dias depois de eu ter oferecido com grande intenção no coração, o terço a Nossa Senhora. Para mim, quem me deu esse dinheiro foi ela, em agradecimento por eu lhe ter oferecido o terço.
Nesta história – verídica – ainda outra coisa ocorreu, e por isso sou levado a acreditar que foi mesmo a Senhora que me deu o dinheiro: quanto à tal taxa de 12€ que me foi dito mais do que uma vez eu ter de a pagar quando levantasse o dinheiro ao balcão, o funcionário, fosse por ignorância, fosse por distração, fosse por esquecimento, …nada me cobrou, entregando-me os 1070€ na totalidade (!)
Livra! Com o diria Fernando Pessa, “e esta, hein?”
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COISAS DE NOSSA SENHORA…? (2)
(publicado na edição de 15 de maio de 2025 de “O Templário”, página 12)
A uma terça-feira, 19 de janeiro 2021, em Manique, limpei com um pano embebido em diluente, os azulejos vandalizados a spray preto, e pintei em volta a branco, a parte de cimento da placa de rua com o nome de “Nossa Senhora do Rosário”.
Falei com Nossa Senhora (malucos, a falarem com pessoas que não existem, mas enfim…) e disse-lhe que aquilo era mesmo por sua especial intenção, que era um carinho que lhe queria fazer, uma homenagem, uma oferta, um presente em seu santo nome, pois passava ali todas as manhãs quando ia comprar o jornal e custava-me ver o seu nome grafitado e sujo.
Foi uma coisa que eu lhe quis oferecer e pronto. E foi mesmo com devoção.
A placa, num pequeno murete de metro e meio à beira da estrada, ficou bonita, como nova. Os azulejos limpinhos, a parte em volta que emoldurava os azulejos pintadinha no branco original, em conclusão, …impecável.
Quis oferecer isso a Nossa Senhora e disse-lhe mesmo que era para ela e ponto final, assunto arrumado.
Ora dois dias depois, quinta-feira, bate o dia do primeiro sorteio semanal do concurso “Despensa Cheia” do jornal “Correio da Manhã”. O concurso tinha começado há poucos dias. Este era o 1º sorteio, da 1ª semana do concurso.
Eram para aí umas dez da manhã e o telefone tocou. Atendi e não queria acreditar no que passei a ouvir:
– “Bom dia, estou a falar com o Sr. Fernando Santos? Parabéns! Estamos a ligar do “Correio da Manhã” para informar que o senhor é o primeiro contemplado com o 1º prémio nesta primeira semana de concurso, o prémio mais alto, o cartão dos 5 mil euros! Parabéns, Sr. Fernando, o cartão de compras no valor de 5 mil euros é seu…!”
Era mesmo verdade o que eu estava a ouvir?! O prémio de 5 mil euros em cartão, sorteado pelo “Correio da Manhã”, concurso para o qual eu tinha enviado apenas três ou quatro cupões, era meu?!
Nem estava em mim, tudo me parecia um sonho! Os 5 mil euros eram meus, eram…!
Lembro-me de dizer, mal refeito da surpresa:
– “Irei dar dez por cento do valor do cartão a uma pessoa ou instituição necessitada. Pelas minhas convicções religiosas, irei dar 10% do que recebi sem estar à espera.”
– “Que gesto maravilhoso, Sr. Fernando” – dizia do outro lado a senhora do CM – “Ainda melhor será a notícia que iremos dar aos nossos leitores! Mas olhe que o prémio não é em dinheiro, é em compras.”
– “Eu sei, não faz mal. Eu darei à mesma os 10% do meu bolso, em cheque ou transferência bancária.”
– “Sr. Fernando, o jornal vai querer entrevistá-lo ainda hoje à tarde. É para a notícia sair já amanhã, sexta-feira. Diga onde mora, que a nossa equipa irá ter consigo depois de almoço. E mais uma vez parabéns pelo prémio, e pelo seu gesto altruísta!”
Para mim – que sou maluco e acredito em Nossas Senhoras que não se veem – o prémio fora um agradecimento, um “obrigado” de Nossa Senhora. Uma graça sua pelo que eu tinha feito intencionalmente à placa de rua com o seu nome. Quanto aos 10%, (500€), dei-os sim, e até dei até mais.
Nos dias seguintes comecei a distribuí-los por várias pessoas que conhecia e estavam um pouco aflitas de finanças por causa dos empregos suspensos pelo confinamento, e 50 aqui, 200 ali, 100 acolá, dei no total 800 euros. Não faz mal, Deus acrescenta. Estava eu alguma vez à espera de receber 5.000€ caídos do céu?
No entanto, não é que passado pouco tempo eu volto a receber o que dei?!
Três meses depois decido trocar a minha scooter 125 por outra de igual cilindrada. Vou a um stand e verifico que oferecem uma promoção incrível de baixa de preço por uma SYM 300 nova. Eu só queria uma 125, mas tanto o vendedor me aliciou, que…
Outra coisa a meu favor: aceitam a minha 125 à retoma e valorizam-na muito acima da média. Fico parvo. Sei o valor das coisas. Não estou a acreditar no que me está a acontecer, mas mantenho-me calado.
Saio dali e contas feitas, acabo por adquirir uma excelente scooter zero km, superior à que queria (a ideia era uma simples 125), e com um desconto de mais coisa menos coisa, …800€!
Uma coisa ainda me fez desconfiar que foi a Senhora lá de cima que arranjou tudo isto: negócio fechado, pedir matrícula e tal, …qual o dia em que depois me telefonam para ir levantar a scooter de manhã? – 13 de maio…!!!
(Nota: O concurso em causa foi o último. Daí para a frente o “Correio da Manhã” nunca mais voltou a fazer esses concursos. Porque é que que em anos anteriores nunca me tinha saído nada apesar de enviar catrefas de cupões, e desta vez ganhara logo à primeira, e ainda por cima o prémio mais alto?
Para mim, achei que isto foram coisas de Nossa Senhora, mas quem sou eu para achar alguma coisa, um pobre ignorante…?)
