História da Medalha

QUANDO A VIRGEM APARECE

O mundo sobrenatural está no meio de nós, mas nossos sentidos não podem perceber. Em sua condescendência, Deus vem a nós, diante de nossa fraqueza. Foi Ele quem nos fez! Portanto Ele sabe da nossa necessidade de sinais visíveis para chegarmos ao invisível. E a Medalha Milagrosa é um desses sinais.

A Encarnação é o 1°prodígio de Deus se mostrando entre nós! Na sua vida terrestre, Jesus realizou numerosos milagres que atestam ser Ele o Messias anunciado e que nos convida a acreditarmos Nele; àqueles que se dirigem a Ele, com fé, Ele concede o que lhes pedem.

O tempo da Igreja não marcou a interrupção de seu amor por nós! É certo que Deus nos disse tudo através de seu Filho, mas Ele continua a nos prodigalizar com os sinais de sua ternura para conosco. E assim nos envia sua Mãe que vem sulcar nossa terra com suas aparições.

Nós o vemos, acreditar nas aparições da Santa Virgem, aprovadas pela Igreja, que, se apóia nos rigorosos fundamentos críticos. Não se trata de superstição. Trata-se apenas de uma humilde submissão aos fatos da história, que não podem ser suprimidos, nem de sua interpretação tendenciosa, a nível de mentalidade oscilante do mundo, que constituem um desafio à superabundância de fé, ao mesmo tempo que uma fé autêntica.

Bem-aventurada aquela que acreditou!”

Como não associar a este grito de admiração de Elisabeth à nossa transformação de incrédulos que somos , em Julho de 2024.

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O bom uso de uma medalha …

Nós, fiéis, temos sempre o hábito de usar medalhas de Nossa Senhora num cordão, à volta do pescoço. Essa devoção constitui, de nossa parte, um testemunho de fé, um sinal de veneração à Mãe de Deus e expressão de nossa confiança na proteção maternal da Virgem Maria.

Usar medalhas não é, pois, uma superstição. No Concílio de Trento, em 1563, a Igreja fixou o bom uso de medalhas, imagens, escapulários, lembrando aos cristãos que, é preciso que fique bem claro, quando veneramos as imagens de Cristo, da Virgem e dos Santos, não significa que colocamos nossa fé nas imagens e sim que veneramos as pessoas que elas representam.

É bem diferente de superstição, que atribui um efeito oculto ao objeto venerado, atitude automática, porém em vão.

A medalha, oriunda da aparição da Santa Virgem à Irmã Catarina Labouré nesta capela, é apenas um pedacinho de metal. Não devemos considerar esta medalha como um talismã ou um amuleto com poderes mágicos, o que seria, de nossa parte, uma vã credulidade.

Pequeno memorial do amor da Virgem, a medalha nos ajuda a conservar este amor vivo em nosso coração e em nosso espírito, porque temos a memória curta e a vontade fraca!

A medalha, lembrete da fé que nos é concedida, nos estimula a demonstrar nosso reconhecimento através de um comportamento digno de uma filha de Nossa Senhora.

A Igreja abençoa estes objetos de devoção, nos fazendo lembrar que o papel deles é nos trazer à memória o amor de Jesus Cristo por nós e de aumentar nossa confiança na ajuda de sua Mãe, que é também nossa Mãe.

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…milagrosa

A medalha milagrosa compreende quatro características. Foi como que “desenhada” pela própria Virgem que a mostrou sob a forma oval, com uma invocação a ser gravada, sua própria efígie de um lado e no reverso os motivos simbólicos. E partindo desses detalhes, a Virgem explicou seu conteúdo: a mensagem explícita e implícita de sua própria identidade, sua Imaculada Conceição, de sua cooperação na salvação concedida por seu divino Filho e de sua maternidade universal.

Em seguida, a Virgem Maria ainda deu o modo de usar :
“Aqueles que a usarem com confiança”, palavras que nos soam como um eco das palavras de Jesus à mulher curada depois de tocar em seu manto: “Vá, a tua fé te salvou”.

Finalmente, a Virgem Maria assinala o objetivo: receber grandes graças, lembrando-nos a misericórdia de Deus e a primazia da vida espiritual. A Virgem Maria atribui uma eficácia particular à sua medalha: a Igreja sempre admitiu que se atribua milagres, às relíquias, às imagens, às medalhas e aos escapulários. Santa Joana de Chantal não foi ela milagrosamente curada, em 1618, pela imposição das relíquias de São Carlos Borromeu, pelas mãos de São Francisco de Sales? São Maximiliano Kolbe, em 1912, não salvou seu pulso direito de uma amputação, com a aplicação de água de Lourdes?

Está claro que é Deus quem faz os milagres, mas às vezes Ele quer fazê-los através de objetos bem materiais de devoção, ou pela intercessão de seus servos fiéis, de seus santos e principalmente de sua Mãe!

A mensagem da medalha milagrosa é um apelo à confiança na intercessão da Virgem Maria.

Aceitemos, pois, humildemente, pedir graças pelas suas mãos!

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Uma fulgurante divulgação

Depois das aparições, Catarina Labouré toma conhecimento de sua missão: mandar cunhar uma medalha. E ela a transmite ao Padre Aladel, da ordem dos lazaristas. Não obteve o menor eco. Nomeada para Reuilly, um bairro pobre de Paris, Catarina se encontra agora a serviço dos velhos, no Asilo de Enghien.

Mas como a voz interior continuava a insistir com Catarina, um dia ela tomou coragem e disse ao Pe. Aladel: “A Virgem está descontente porque não escutam o que ela fala”. Tocado por esta admoestação, Pe. Aladel resolveu agir e com o apoio de seu superior, pôs-se em brios. E surpresa ! O Bispo de Paris, Mgr. Quélen, não vê o menor inconveniente em mandar cunhar a medalha pedida pela Virgem Maria. E ainda demonstra seu desejo de ser um dos primeiros a receber uma das medalhas.

Em fevereiro de 1832, estoura em Paris uma terrível epidemia de cólera que ocasionaria mais de 20 000 mortes. Em junho, as primeiras medalhas, cunhadas por Vachette, foram distribuídas pelas Filhas da Caridade. Logo, multiplicam-se as curas, conversões e proteções, constituindo verdadeira ressaca de graças. E o povo de Paris apelida a medalha de : medalha milagrosa.

Os milagres ocasionavam questionamentos a respeito da origem da medalha e em 1834 foi publicada uma primeira brochura a respeito da medalha milagrosa, de autoria do Abade Le Guillou, conselheiro do Bispo de Paris. Finalmente Padre Aladel escreve sobre o assunto: A Noticia aparece em agosto de 1834 : 10 000 exemplares esgotaram-se em menos de dois meses. A 2 edição do mesmo ano, esgotou-se ainda mais depressa e a terceira. . .

Paralelamente espalham-se relatos de milagres ocorridos, pinturas, gravuras e imagens que ilustravam o acontecimento.

No entanto, Catarina permanece na sombra e continua trabalhando absolutamente incógnita. E por ocasião de sua morte, em 1876, já haviam sido cunhadas mais de um bilhão de medalhas.

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As bulas pontificais

Em 1835, diante do “sucesso” da medalha, Monsenhor Quélen se decide pela abertura de um processo canônico que foi confiado ao Cônego Quentin, Vigário Geral.

Em geral, o reconhecimento oficial de uma aparição é feita pelo Bispo local que deverá se encontrar pessoalmente com a/o vidente, depois do que, se julgar necessário, ele prossegue com seu inquérito para transmitir tudo à Santa Sé, através da Nunciatura. No caso de Santa Catarina Labouré, todo este procedimento torna-se impraticável porque Monsenhor Quentin se comprometera com o desejo de Catarina de se manter no anonimato e no silêncio. O processo ficou, portanto inacabado.

E em 1842, em Roma, Alphonse Ratisbonne jovem banqueiro judeu alsaciano, deixou-se convencer, por um amigo, de usar a Medalha Milagrosa no bolso. No dia seguinte, na igreja de San Andréa delle Frate, a Virgem da Medalha Milagrosa lhe aparece. Sua súbita conversão teve uma grande repercussão, tornando-se motivo para um processo canônico que se tornou o ato mais oficial sobre o caso. E o reconhecimento oficial das Aparições da Virgem Maria à Santa Catarina foi feito… graças à própria medalha!

Em 1854. o Papa Pio IX, em sua bula “Ineffabilis”,definiu o dogma da Imaculada Conceição. Parece ter feito uma alusão voluntária à Medalha Milagrosa ao dizer que Maria “apareceu no mundo, com sua Imaculada Conceição, tal como esplêndida aurora, cujos raios resplandecem de toda a parte.”

Em 1894, o Papa Leão XIII aprova a missa da festa de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa, composta pelos lazaristas.

Em 1897, Leão XIII aprova a coroação da imagem da Imaculada Conceição, dita da Medalha Milagrosa”.

Em 1947, após um processo que compreendia uma investigação sobre as aparições, Pio XII declara Catarina, santa.

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Os testemunhos e…

Dentre os primeiros a comprovar a eficácia da fé através da medalha oferecida por Nossa Senhora, podemos citar o Arcebispo de Paris, Monsenhor Quélen. Depois de minuciosa investigação sobre os fatos citados, tornou-se um propagador convicto da medalha. Obteve, pessoalmente, curas inesperadas.

E o próprio Papa Gregório XVI conservava a medalha milagrosa à cabeceira de sua cama.

Desde 1833, Padre Perboyre, lazaristas, ele próprio relata a cura milagrosa de um de seus confrades, atribuída à Medalha.

E quando chegou à China, onde viria a morrer mártir, em 1839, distribuiu muitas medalhas e relata, através de sua correspondência, numerosos milagres.

Em 1833. Frederico Ozanan trazia consigo a medalha, quando fundou, em Paris, as Conferências de São Vicente de Paulo.

E talvez o mais entusiasta da medalha foi o Cura d’Ars.

Desde 1834, ele havia adquirido uma imagem de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa, colocando-a sobre o tabernáculo e reproduzindo o reverso da medalha na porta do tabernáculo.

No dia 1º de maio de 1836, consagrou solenemente sua paróquia à “Maria concebida sem pecado”.

Ozanam tornou-se um zeloso apóstolo da Medalha e distribuía medalhas e centenas de imagens, sobre as quais escrevia a data e o nome dos que se consagravam à Imaculada.

Em 1835, em Einsiedeln, na Suissa, a Santa Virgem apareceu a uma irmã beneditina, tendo na mão uma medalha milagrosa, virando-a para mostrar o reverso e diz: “Use esta medalha e experimentará a minha proteção especial.”

Em 1843, M. Etienne, Superior dos Lazaristas e das Filhas de Caridade, evoca as aparições como fonte de renovação das vocações e de um novo fervor que anima as duas famílias.

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… e os apóstolos da Medalha

Santa Bernadete, em Lourdes, usava a medalha antes das aparições da Virgem, que Catarina Labouré identificou, ao ouvir falar nisto. “É a mesma medalha”, disse ela.

Santa Terezinha do Menino Jesus quando estava no Carmelo, usava a Medalha Milagrosa.

Em 1915, na Filadélfia, nos Estados Unidos, surge, por iniciativa do Padre Joseph Skelly, o Apostolado mariano com a Novena perpétua da Medalha Milagrosa.

E um novo impulso é dado à difusão da Medalha Milagrosa, graças ao Padre Kolbe. Este franciscano, nascido na Polônia, fora ordenado sacerdote em Roma, no ano de 1919. Ele celebrou sua primeira Missa na igreja de San Andréa delle Frate, onde a Imaculada havia convertido Ratisbonne. Em 1917, fundou a Milícia da Imaculada, sob a proteção da Virgem da Medalha Milagrosa, daí se originando um jornal mariano: “ O Cavaleiro da Imaculada”, com um sucesso inaudito. Ao partir para o Japão, em 1930, atravessou a França e fez uma visita ao Santuário da “rue du Bac”, ao Santuário de Lourdes e à Lisieux. Distribuía as medalhas por toda a parte, dizendo “ São as minhas munições”.

Tendo sido feito prisioneiro no Campo de Concentração de Auschwitz, morreu mártir a 14 de outubro de 1941, dando sua vida no lugar de um pai de família.

Hoje em dia, dois milhões de peregrinos passam anualmente pelo Santuário da Medalha Milagrosa, na “rue du Bac”, e a multidão de apóstolos da Medalha Milagrosa espalhou-se pelo mundo inteiro.

Os filiados à Associação da Medalha Milagrosa, permanecem unidos pela oração e por um jornal.

Finalmente, a Internet marca a presença da Capela à domicílio, até as extremidades do mundo!

http://chapellenotredamedelamedaillemiraculeuse.com

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